{"id":500,"date":"2024-08-28T09:11:30","date_gmt":"2024-08-28T12:11:30","guid":{"rendered":"https:\/\/id126ufba.com.br\/?p=500"},"modified":"2024-08-30T16:04:24","modified_gmt":"2024-08-30T19:04:24","slug":"e-assim-mesmo-que-voce-quer-contar-essa-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/idufba.com.br\/memoria\/e-assim-mesmo-que-voce-quer-contar-essa-historia\/","title":{"rendered":"\u00c9 assim mesmo que voc\u00ea quer contar essa hist\u00f3ria?"},"content":{"rendered":"<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Tr\u00eas li\u00e7\u00f5es sobre ser um jornalista dedicado \u00e0 escrita<\/span><\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/linktr.ee\/allmota\"><strong>Alexandro Mota<\/strong><\/a> <strong>*<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Com o que voc\u00ea trabalha? Com textos. Eu conto hist\u00f3ria atrav\u00e9s de palavras. At\u00e9 mesmo a outra parte do meu trabalho, apurar hist\u00f3rias, que confesso gostar mais do que escrever, tamb\u00e9m s\u00f3 faz sentido se depois elas forem escritas. Ou pelo menos era assim, quando a minha \u2018skin\u2019 rep\u00f3rter estava mais aflorada. Hoje estou mais dedicado ao ensino, mas ainda me considero jornalista e ponto. Mas a parte de ser jornalista propriamente de texto j\u00e1 me causou algumas inseguran\u00e7as \u2013 e todas elas me fizeram tirar boas li\u00e7\u00f5es. Um desses momentos em que me questionei foi quando eu passei pelo ent\u00e3o <\/span><b><i>ID 126<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, mas talvez seja melhor eu contar do come\u00e7o.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Escrever se tornou um porto seguro para mim desde a inf\u00e2ncia. Uma forma de me expressar sem muita censura sobre minha voz, o jeito que eu falava e gesticulava \u2013 traumas de \u201ccrian\u00e7a viada\u201d, sabe? P\u00e9ssimo! Eu escrevia muitas pe\u00e7as de teatro quando era adolescente, minhas reda\u00e7\u00f5es se destacavam no ensino m\u00e9dio, na aula da minha professora de Portug\u00eas, Simone. Faria ent\u00e3o jornalismo por gostar de escrever.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Cheguei, ent\u00e3o, na faculdade \u201ccheio de mim\u201d, como dizem. Pelo menos escrever eu achava que sabia. Mas eu lembro como hoje do rev\u00e9s de um dos primeiros textos que o professor de Oficina de Escrita me entregou corrigido \u00e0 m\u00e3o, completamente riscado. Naquele dia, eu almocei com um amigo em um daqueles \u2018coma \u00e0 vontade\u2019 na Avenida Carlos Gomes e nem apetite eu tive direito. \u201cN\u00e3o dou pra isso. E agora?\u201d. As defici\u00eancias do ensino b\u00e1sico e o pouco contato com pessoas letradas gritavam que n\u00e3o bastavam criatividade, boas narrativas. Havia regras que eu precisava seguir e aprender. Essa foi a li\u00e7\u00e3o n\u00famero um.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">A faculdade, seja ela qual for, tem uma fun\u00e7\u00e3o essencial de nos mostrar possibilidades, uma fun\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica baseada na <\/span><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/rbedu\/a\/Ycc5QDzZKcYVspCNspZVDxC\/?format=pdf&amp;lang=pt\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cperigosa\u201d<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> exposi\u00e7\u00e3o \u00e0s coisas do mundo ou das possibilidades da profiss\u00e3o. Eu cheguei decidido a ser um profissional de texto. Lembra? Fotografar n\u00e3o \u00e9 pra mim, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">check<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">! TV? Deus me livre! <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Check<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Humm, r\u00e1dio \u00e9 legal. Mas ainda prefiro escrever. Ent\u00e3o, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">check<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">: serei um profissional do texto. Mas o <\/span><b><i>ID 126<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> tinha um imperativo que questionava esse lugar do \u201ctexto ou\u2026\u201d para pensar \u201co texto e\u2026\u201d. A professora Suzana provocava. E o mult\u00edmidia? Cabe um infogr\u00e1fico? N\u00e3o vai fazer um v\u00eddeo disso aqui n\u00e3o? Talvez ainda seja assim, visto que at\u00e9 quando me convidou para colaborar com esta coluna, pontuou: \u201c\u00e9 para voc\u00ea escrever\u2026 ou outro formato que voc\u00ea queira\u201d. Li\u00e7\u00e3o n\u00famero 2: o texto, mesmo que seja sua forma de express\u00e3o de deleite, pode n\u00e3o ser a melhor forma para contar a hist\u00f3ria que voc\u00ea quer contar; ou, no digital, n\u00e3o precisa ser a \u00fanica.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Mesmo que escolha o texto, questionar se \u00e9 o formato ideal faz bem, at\u00e9 para escrever melhor, convicto disso. Ou talvez essa seja uma desculpa que inventei depois de, ironicamente, me pegar escrevendo isso aqui depois de me perguntar se n\u00e3o era melhor ter gravado uma coluna em forma de v\u00eddeo para galera. Um <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">reels<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> ou um TikTok com \u201ctr\u00eas li\u00e7\u00f5es que aprendi me decepcionando com o texto\u201d. Quem sabe? De qualquer modo,\u00a0 foi bom lembrar de redes sociais. Foram elas que me impuseram a terceira onda de crise. Depois de anos trabalhando para um jornal impresso e para ve\u00edculos baseados essencialmente em texto, foram elas que me colocaram \u00e0 prova para pensar se ainda hoje h\u00e1 lugar para um profissional de texto. Olha que eu nem estou com medo da IA, mas me assusta o imperativo do v\u00eddeo, formatos r\u00e1pidos e, principalmente, os dados de comportamento que indicam uma m\u00e9dia de 26 segundos para consumo de textos na internet (Inclusive, voc\u00ea ainda est\u00e1 a\u00ed?).<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Talvez eu n\u00e3o tenha ainda uma li\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a esse terceiro momento de questionamento (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">vide<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> esse texto com quase 850 palavras e dez minutos de tempo m\u00e9dio de leitura), mas isso tem me instigado a, no \u00faltimo ano, buscar me atualizar sobre a escrita para internet. J\u00e1 reparou que h\u00e1 inova\u00e7\u00f5es sendo vendidas para v\u00e1rios formatos, mas quando o assunto \u00e9 texto, principalmente jornal\u00edstico, parece que tudo ainda \u00e9 como antes? Claro que tem uma discuss\u00e3o sobre <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">UX Writing<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> interessante (embora exija muito garimpo, como quase tudo desse mercado de marketing digital); o trabalho da <\/span><a href=\"https:\/\/www.axios.com\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">Axios<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> e sua metodologia <\/span><a href=\"https:\/\/sextante.com.br\/livros\/brevidade-inteligente\/\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">Smart Brevity<\/span><\/i><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> parecem promissores (at\u00e9 <\/span><a href=\"https:\/\/abi-bahia.org.br\/o-texto-jornalistico-chegou-a-versao-3-0\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">escrevi uma mat\u00e9ria sobre isso<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> &#8211; olha, Suzana, n\u00e3o tem multim\u00eddia, mas tem <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">hiperlinks<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">). Mas ainda sinto que temos o que aprender nesse fronte.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O que eu sei \u00e9 que n\u00e3o posso reclamar de bloqueio de escrita ou algo do tipo, o que, ainda bem, diminui o risco de\u00a0 virar mais um desses escritores de romance ou roteirista de filme que, n\u00e3o sabendo o que escrever ou querendo a empatia de tantos outros profissionais de dedos inertes, aumentam o volume de produ\u00e7\u00f5es sobre o tema. Mas a crise sobre a escrita tem me rendido boas reflex\u00f5es e, sobretudo, tem me feito, olha s\u00f3, escrever coisas, como essa aqui que, por sorte minha, encontrou sua leitura.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>*<\/strong> <strong>Alexandro Mota<\/strong> \u00e9 jornalista com atua\u00e7\u00e3o em Salvador-BA. J\u00e1 colaborou para ve\u00edculos como <em>UOL Tab<\/em>, <em>Estad\u00e3o Verifica<\/em>, <em>O Globo<\/em>, <em>G1<\/em> e <em>Correio*<\/em> (onde iniciou a carreira), al\u00e9m de ser um dos fundadores do <em>Coletivo Interface<\/em>. \u00c9 mestre e doutorando em Comunica\u00e7\u00e3o e Cultura Contempor\u00e2neas pela UFBA, est\u00e1 como professor substituto na FACOM | UFBA pela segunda vez (2019; 2024) e \u00e9 pesquisador do Grupo de Pesquisa em Jornalismo On-Line (<a href=\"https:\/\/gjol.net\/\">GJOL<\/a>) desde 2016. Foi da turma de 2009.2 de Jornalismo na FACOM | UFBA e passou pela disciplina Oficina de Jornalismo Digital no semestre 2012.1, sob a condu\u00e7\u00e3o da Profa. Suzana Barbosa, com a participa\u00e7\u00e3o do tirocinista Vitor Torres, quando atuou no produto laboratorial <a href=\"https:\/\/id126ufba.com.br\/memoria\/\">ID 126<\/a>. Foi vencedor naquele ano com reportagem produzida para o <em>ID 126<\/em> na Expocom Nordeste e na Expocom Nacional, pr\u00eamios conferidos pela Intercom.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tr\u00eas li\u00e7\u00f5es sobre ser um jornalista dedicado \u00e0 escrita &nbsp; Alexandro Mota * &nbsp; Com o que voc\u00ea trabalha? Com textos. Eu conto hist\u00f3ria atrav\u00e9s de palavras. At\u00e9 mesmo a outra parte do meu trabalho, apurar hist\u00f3rias, que confesso gostar mais do que escrever, tamb\u00e9m s\u00f3 faz sentido se depois elas forem escritas. 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