Acesso esportivo para quem?

A cidade possui 63 campos de futebol com grama sintética, um complexo tenístico, quatro ginásios poliesportivos, 14 academias públicas e totaliza mais de 400 espaços públicos para a prática de esportes

 

Vítor Rocha e Roger Caroso (@roger_caroso)

 

Atualmente, Salvador dispõe de uma série de equipamentos públicos para a prática de modalidades esportivas e exercícios físicos, mas eles apresentam uma sequência de dificuldades de acessibilidade e uma infraestrutura precária. Apesar da democratização no acesso ao bem-estar e à saúde física, os soteropolitanos reclamam de questões de agendamento e necessidades básicas.

 

A capital baiana conta com 171 bairros, além de uma população de 2,4 milhões de pessoas, sendo a quinta maior cidade do Brasil em número de habitantes, conforme o censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No entanto, Salvador possui apenas a 225ª maior área entre as cidades da Bahia, tendo 3,4 pessoas por km². 

 

Entre as possibilidades disponíveis na cidade estão quadras de futsal, 63 campos de futebol com grama sintética, um complexo tenístico, quatro ginásios poliesportivos, além de 14 academias públicas. Esses são só alguns dos espaços que ficam abertos para a utilização da população da capital durante o ano inteiro e que se espalham por grande parte de Salvador. 

 

Encontrá-los no mapa pode até parecer fácil, mas, muitas vezes, as pessoas não sabem como e por onde começar a partir dessa gama de opções. Esses espaços, em sua maioria, são disponibilizados pela Secretaria Municipal de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esportes e Lazer (Sempre), que totaliza mais de 400 equipamentos esportivos públicos. Entre eles, as academias ao ar livre, estruturas públicas que possibilitam a prática de musculação com acompanhamento de professores. 

 

Segundo o secretário da Sempre, Junior Magalhães, atualmente a iniciativa já possui mais de 17 mil pessoas cadastradas e o objetivo é crescer ainda mais:

 

 

INFRAESTRUTURA E ORGANIZAÇÃO

 

Por mais que estruturas gratuitas para a prática de esportes pareçam uma boa combinação com o verão, é preciso ter cuidado. Nem todos os espaços se encontram nas melhores condições para a utilização em meio às altas temperaturas. 

 

O biotecnologista Davi Schuenemann, frequentemente, pratica esportes em Salvador, entre eles, o futsal, para o qual se dirige a uma quadra de cimento no bairro de Ondina. Contudo, a condição do espaço não é considerada ideal: ele alerta que o local não tem acesso a água, os banheiros químicos nas proximidades não estão em boas condições, além de faltar cobertura para sombra em meio ao calor.

 

 

Outra situação relatada foi a falta de organização de alguns desses espaços. O administrador Laerte Ferreira comentou que jogar futevôlei na Boca do Rio costuma ser uma incógnita, visto que não existe uma forma de agendar a quadra ou saber se ela já está sendo usada por outras pessoas.

 

 

Moradora do Subúrbio Ferroviário de Salvador, a estudante de psicologia Vitória Almeida, de 25 anos, contou que as academias ao ar livre têm ajudado na perda de peso e no abandono da vida sedentária. Há três meses utilizando os equipamentos disponibilizados pela prefeitura, ela revelou que já perdeu 4 kg. No entanto, a jovem afirmou que muitas vezes não consegue agendar as aulas nas unidades.

 

“Ainda são poucos locais para muitas pessoas. As academias estão em pontos muito movimentados, com muito interesse da população. São pouquíssimas vagas em poucos horários, considerando que a maioria das pessoas trabalha ou estuda. Eu não posso estar com horário disponível para a academia o tempo todo, ela tem que ter o horário disponível para mim”, afirmou.

 

Complexos esportivos da Boca do Rio. Crédito: Google Street View

 

CADASTRAMENTO E VIABILIDADE DO ACESSO

 

Para os interessados em ter as instruções nas academias, 30 vagas para musculação e 15 destinadas a atividades coletivas – boxe, muaythai, treinos funcionais, capoeira e ritmos – são disponibilizadas 24 horas antes do início da aula. Os encontros têm duração de 50 minutos, com tolerância de atraso de cinco minutos. Cada pessoa pode agendar até duas aulas no mesmo dia, mas é proibido o agendamento de dois horários consecutivos. Além da reserva, feita através do aplicativo MUDE, é necessário apresentar documento com foto na entrada do local. O aplicativo está disponível para download nos sistemas Android e IOS.

 

Ao se cadastrar no no app, o aluno deve fornecer as seguintes informações: nome, CPF, data de nascimento, número de celular e contato de emergência. Além disso, uma ficha de saúde do aluno será feita através de um questionário sobre a prática de exercícios físicos. Vale ressaltar que a falta de vestimentas adequadas para as atividades – tênis e camisa – não são permitidas. O consumo de alimentos e bebidas alcoólicas, comércio de produtos e prática sob efeito de drogas também são proibidos, podendo acarretar em expulsão do usuário.

 

Doutor em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Umeru de Azevedo apontou que, apesar dos problemas, os espaços públicos possibilitam a democratização das atividades físicas em Salvador. Para ele, é preciso cada vez mais investimento nestas estruturas para o aumento da qualidade de vida dos soteropolitanos. 

 

“A cidade é para ser acessível para as pessoas e, para que isso ocorra, deve haver ordenamento público que possibilite o uso dos espaços urbanos pelas pessoas. É um gasto apropriado do recurso municipal porque é uma devolutiva direta de impostos e demonstra o sentido republicano e democrático da municipalidade. Academias de rua em bairros de classes mais baixas são um exemplo importante de como o poder público deve equipar a cidade com espaços abertos para a população e que promovam bem-estar”, disse.

 

PRÓXIMOS PASSOS

 

Projeto da Arena Balbinão, na Boca do Rio. Crédito: Divulgação

 

Ao ser questionado sobre futuros projetos para expansão ou criação de equipamentos e complexos esportivos, o secretário da Sempre afirmou que o foco agora é na construção da Arena Multiuso Balbinão, na Orla da Boca do Rio: 

 

 

A estrutura tem um investimento superior a 163 milhões de reais e poderá abrigar tanto eventos profissionais de grande porte, quanto a prática esportiva  da população. Um modelo próximo do praticado atualmente pelo Governo do Estado com o Estádio Metropolitano Roberto Santos, o Pituaçu. 

 

Para complementar a utilização dos espaços esportivos durante o verão, é preciso estar atendo às condições de saúde. Temas tratados na matéria – Confira quais cuidados tomar ao praticar um esporte ao ar livre no Verão.

 

Roger Caroso é estudante de jornalismo na Universidade Federal da Bahia (UFBA), estagiário da BandNews FM  e faz parte do portal de conteúdos de cinema, Moqueka.  O interesse surgiu da paixão pelo esporte e sua democratização.

 

Vitor Rocha é estudante de Jornalismo na Universidade Federal da Bahia (UFBA), estagiário do Correio*  e faz parte do portal de conteúdos de cinema, Moqueka. O interesse pela pauta surgiu da paixão pelo esporte e sua democratização.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *