Calor aumenta no estado e baianos sofrem com os impactos
Caio Pamponét (@caio.pamponet) e Artur Soares (@artt_urito)
Nos últimos anos, a Bahia tem enfrentado um aumento expressivo nas temperaturas. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o ano de 2024 foi o mais quente já registrado no Brasil – e a Bahia é um dos mais impactados por essa problemática. No ano passado, o mundo atingiu a temperatura máxima que era esperada somente em 2030, aponta Cláudia Valéria, meteorologista do Inmet há 25 anos.

“Se a gente não começar a pensar que o planeta é nosso e que cada um tem a obrigação de defendê-lo, nós vamos seguir sem melhora”, afirma Cláudia. Relatórios recentes do Instituto revelaram que três cidades da Bahia ficaram entre as 10 mais quentes do país, e mais de 160 municípios receberam alertas de ondas de calor no ano passado.
Em Salvador, o impacto do calor é ainda mais perceptível. Um relatório de 2024 da Climate Central, organização americana de monitoramento meteorológico, indicou que a cidade teve o quinto maior aumento de temperatura de todo o país, comparando com a média histórica.

Estes dados não se resumem só ao Brasil, mas refletem uma tendência global alarmante de mudanças climáticas: “Essas alterações nas temperaturas se justificam devido às mudanças nos padrões climáticos. Temos visto isso não só do ponto de vista das temperaturas mais altas e maior frequência de ondas de calor, mas também nas chuvas mais intensas ocorrendo em um período curto de tempo”, explica a meteorologista.
Sem perspectivas de melhora climática, Cláudia Valéria alerta sobre a necessidade de uma reformulação completa na sociedade: “Estamos muito atrás do que a gente deveria fazer. É preciso realmente repensar todos os nossos conceitos sobre consumo, vegetação, resíduos sólidos, excesso de industrialização e matrizes energéticas mais limpas. É um conjunto de várias atitudes que precisamos mudar o quanto antes”.

Com a chegada do verão, o cuidado com a pele torna-se uma questão essencial para a saúde da população. A dermatologista Cristiane Silveira orienta que a proteção contra o sol é fundamental para mitigar os impactos. “Deve-se usar protetor solar com alto fator A, no mínimo de 30, de preferência acima de 50, e que tenha resistência ao suor, ao atrito e que além disso tenha proteção contra UVB, UVA e UVA longo”, disse ela.
Há 25 anos exercendo a profissão, Cristiane ressalta a importância de aplicar o protetor solar da maneira correta e utilizar itens específicos: “Tem que repor [o protetor] toda vez que você suar, mergulhar ou após quatro horas. Além disso, é indicado o uso de barreiras físicas, como óculos escuros, chapéus, bonés e roupa UV”, explicou.
A especialista ainda aponta alguns sinais que podem alertar sobre problemas relacionados à pele: “Qualquer incômodo que apareça na pele, alteração na cor ou descamação é indício que a pessoa deve procurar um dermatologista”, acrescenta.

Além das questões de saúde, o calor excessivo influencia também na rotina de trabalho e economia dos baianos. Trabalhadores que atuam ao ar livre, como os vendedores ambulantes, enfrentam desafios diários para se adaptar à mudança climática. É o caso de Franco Freitas Gomes, que trabalha há 30 anos na orla de Salvador e teve que mudar seus hábitos na hora de sair de casa.
Por conta da exposição contínua ao sol, ele acabou desenvolvendo problemas de pele. Depois de consultar um especialista, Franco passou a utilizar chapéu e pomadas especiais para hidratar e se proteger do sol. “Passei pelo médico e ele me passou essas pastas que combatem o sol e refrescam. Mandou que eu passasse na hora de sair de casa pra vender o picolé”, conta.

Apesar de receber um auxílio por ter sofrido um acidente de moto, o ambulante explica que vende picolés por ser a única forma de complementar sua renda. O vendedor passa cerca de 12 horas trabalhando e, durante o expediente, não pausa nem durante o calor do meio-dia. “Eu saio de casa às 07h30 e volto umas 18h30, sem descanso”, afirmou.
Além disso, existem algumas coisas que não podem ser contornadas no cotidiano do ambulante. Ele conta que, na maioria das vezes, o único meio de se hidratar é pedindo água em alguns bares. “Essa água aqui eu peço num torneiral, sabe? Aí dizem logo ‘não tem água gelada’. A água é quente mesmo, eu tenho que tomar logo, antes que o sol deixe ela fervendo. Tem água que eu já jogo fora, não dá nem pra engolir”.
Franco relata que sente na pele o aumento das temperaturas nos últimos anos. Segundo ele, quando começou a vender nas ruas, o calor não costumava ser tão forte quanto hoje em dia. “Era mais tranquilo. A areia não era tão quente. Era tudo normal”.
A problemática do aumento do calor exige uma série de responsabilidades individuais para minimizar o seu impacto. Dentre elas, ficar atento à emissão de alertas de eventos extremos em instituições de referência, como o Inmet, e assumir o compromisso de cuidar do meio-ambiente, através de consumo e descarte consciente, estão entre as principais.
Artur Soares é estudante de Jornalismo na Universidade Federal da Bahia (UFBA) e repórter de cultura no MASSA!.
Caio Pamponét é estudante de Jornalismo na Universidade Federal da Bahia e estagiário em redes sociais no A Tarde.
O tema de foi escolhido por conta do aumento da temperatura na Bahia, situação que desperta um alerta climático e ressalta a importância dos cuidados contra oi calor.