Salvador registra 4,6 mil resgates de animais silvestres em oito meses

Hospital veterinário da UFBA é o único centro público da Bahia que atende animais silvestres resgatados em Salvador

 

Vanessa Jesus (@nwvanessa) e Vica Portela (@portelavica)

 

Até agosto deste ano, 4.619 animais silvestres foram resgatados pela Guarda Civil Municipal após serem vítimas do tráfico, de maus-tratos e de acidentes provocados pela ação humana.  Alguns desses animais são encaminhados para instituições parceiras, como o Hospital de Medicina Veterinária da Universidade Federal da Bahia (UFBA), que desenvolve ações voltadas à reabilitação e à soltura de espécies silvestres em seus habitats naturais.

 

O processo envolve triagem clínica, cuidados veterinários e readaptação comportamental. Ele é realizado em parceria  com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (INEMA) e o Centros de Triagem de Animais Silvestres (CETAS). De acordo com Rodrigo Bittencourt, diretor e Médico veterinário da UFBA, os animais passam por um processo de triagem nos CETAS,  após serem resgatados. Lá os profissionais avaliam suas condições e identificam se há necessidade de cirurgias ou tratamentos mais complexos. Nesses casos, eles são encaminhados ao Hospital de Medicina Veterinária, o único centro público da Bahia especializado no atendimento a animais silvestres.

 

 

O Ambulatório de Animais Silvestres e Exóticos (SASE), do hospital veterinário, já registrou o atendimento de cerca de 1.400 animais silvestres. No espaço, as equipes realizam exames parasitológicos, sorologias e testes para identificar infecções bacterianas, fúngicas e virais. Após o diagnóstico e o tratamento, os animais são encaminhados ao CETAS, onde passam pela etapa de reabilitação e readaptação antes de retornarem ao ambiente natural. Nessa etapa, os animais reaprendem a caçar, voar e viver sem contato humano, recuperando comportamentos essenciais à sobrevivência na natureza. Quando considerados aptos, são soltos em seu habitat, com autorização do Inema e do Ibama.

Rodrigo reforça que nem todos os animais têm condições de voltar à natureza. “Uma ave que perdeu uma pata, por exemplo, não pode ser reintroduzida, porque depende de cuidados contínuos”, explica. “Mas aqueles que, após a avaliação, apresentam chances reais de sobrevivência, seguem para a soltura.

 

Tecnologias de rastreamento ampliam o controle pós-soltura

 

A soltura dos animais é realizada em áreas cadastradas e monitoradas pelo Inema, conhecidas como Áreas de Soltura de Animais Silvestres (ASAS), onde cada espécie é direcionada ao habitat mais adequado. O governo estadual, em parceria com a UFBA e organizações ambientais, tem investido em técnicas de pós-soltura, com o uso de anilhas e chips de rastreamento. Na UFBA, uma das fazendas experimentais, com cerca de 400 mil metros quadrados de mata atlântica preservada, está em processo de reconhecimento como área oficial de soltura, o que permitiria fechar o ciclo de reabilitação dentro da própria universidade.


Leane Gondim, médica veterinária e técnica do Setor de Animais Silvestres (SASE) do Hospital de Medicina Veterinária, revela que após a efetivação de soltura, os órgãos ambientais fiscalizam como esses animais estão se adaptando e se desenvolvendo. O SASE mantém termos de cooperação técnica com o Zoológico de Salvador e com o próprio CETAS, colaborando em procedimentos clínicos e cirúrgicos, atuando principalmente na triagem e atendimento clínico inicial dos animais silvestres e exóticos que chegam ao setor.

 

Segundo Leane  o ambulatório recebe tanto animais tutorados, que são mantidos ilegalmente como pets, quanto animais resgatados pela Superintendência de Meio Ambiente e Infraestrutura (SUMAI) e Polícia Ambiental ou o Grupo Especial de Proteção Ambienta (GEPA). O trabalho desenvolvido envolve o primeiro atendimento médico-veterinário, com avaliação clínica, exames e análise de comportamento, antes de encaminhar o animal CETAS, localizado próximo ao estádio de Pituaçu.

 


De acordo com a veterinária, essa etapa depende do grau de contato que o animal teve com humanos: aqueles que mantêm o comportamento selvagem são liberados rapidamente, enquanto os que viveram por muito tempo em cativeiro precisam de um período de ambientação e readaptação, aprendendo novamente a caçar, procurar alimento e se adaptar ao clima da área onde serão soltos.

 

A veterinária também ressalta a diferença entre os conceitos de “soltura” e “reintrodução”. Enquanto a soltura se refere ao ato de devolver um indivíduo ao ambiente natural após a recuperação, a reintrodução é um processo mais complexo, que busca restaurar uma espécie em uma área onde ela já existiu, mas foi extinta. Portanto, o trabalho do AASE e das instituições parceiras está centrado, sobretudo, em solturas responsáveis, que visam garantir que os animais tenham condições de sobrevivência autônoma após o retorno ao habitat.

 

 

Vanessa Jesus – Estudante de Jornalismo na FACOM | UFBA. Atua como repórter e editora-chefe da 27ª edição da Revista Fraude, do Programa de Educação Tutorial de Comunicação (PETCOM). Em 2025, sua matéria “As mãos que tecem o fio”, da Revista Fraude, conquistou o 2º lugar na categoria Jornalismo Universitário do Prêmio SEBRAE.

 

Vica Portela Estudante de Jornalismo na FACOM | UFBA. Fotógrafa e produtora de conteúdo freelancer.

 

Escolhemos abordar os animais silvestres resgatados porque que evidenciam a importância de preservar a fauna e mostram como o trabalho de reabilitação e reintrodução dos médicos veterinários devolve vida e equilíbrio à natureza.

 

OBS: Imagem destacada que ilustra a reportagem foi criada pelo ChatGPT.

 

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