Em 2025, o estado teve cerca de 55% do público infantil alfabetizado aos 7 anos, idade ideal estabelecida pelo MEC.
Lucas da Hora (lucas.d.a.h.o.r.a)
Aos sete anos, Hermano Júnior demonstra entusiasmo com a alfabetização. No 2º ano da educação básica, o estudante baiano está sendo alfabetizado na idade ideal, estabelecida pelo Ministério da Educação. “Estou aprendendo a ler e escrever. Gosto da minha escola e a minha aula preferida é a de Educação Física”, conta Hermano.

Nacionalmente, a meta estabelecida pelo órgão educacional defende que 50% dos estudantes da educação infantil atinjam essa meta. Em 2025, o Brasil atingiu 66% de crianças alfabetizadas. O que representa um crescimento de 7% com relação ao ano anterior, o qual cravou na fatia de 59%.
Considerando o objetivo do MEC e suas normas, a Bahia passou a ter em 2025 indicadores positivos na alfabetização. Isso porque 55% do público infantil foi alfabetizado no momento ideal. O percentual equivale a um aumento de 19%, se comparado com o ano de 2024, quando 36% das crianças foram alfabetizadas no estado na fase adequada. A Bahia teve o maior progresso dentre todos os estados brasileiros.
“É um avanço muito significativo e resultado de um grande esforço coletivo. A alfabetização acontece no município, mas é uma responsabilidade de todos nós. Quando Estado e municípios trabalham juntos, os resultados aparecem. É um esforço conjunto, que envolve formação de professores, apoio às redes municipais e acompanhamento contínuo da aprendizagem”, afirma a Secretária de Educação da Bahia, em nota divulgada no Portal GovBa.
O avanço na alfabetização em 2025 fez parte de um levante nacional, crescendo de maneira significativa em estados do nordeste como Piauí (77%), que teve um acréscimo de 17% ou até mesmo o Acre (66%), também com um aumento de 17%, se equiparado com o número de crianças alfabetizadas na idade ideal em 2024.

A professora Dayane Amorim trabalha com alfabetização há cinco anos em Taperoá, cidade do baixo sul da Bahia, a 140 km de Salvador. Ela avalia que “um dos maiores desafios [na alfabetização] é atender às diferentes necessidades de aprendizagem presentes na sala de aula, tendo que garantir que todos os alunos avancem em seu processo de desenvolvimento, respeitando seu ritmo e suas particularidades”, destaca a docente.
Dayane ainda acredita que a família é um pilar essencial neste processo. “Acredito que com ajuda dos responsáveis a alfabetização das crianças seria mais eficaz. A escola tem um papel fundamental no ensino, mas o apoio da família faz muita diferença. Se a maioria dos pais incentivassem a leitura, acompanhassem nas atividades, o processo de aprendizagem se fortaleceria cada vez mais”, exemplifica Amorim.
A mãe de Hermano é um exemplo disso. “Como família estamos desempenhando um papel importante neste processo. Acompanhamos na leitura diária e nas atividades. A alfabetização na vida do meu filho é crucial para que ele continue na vida escolar com grandes êxitos”, disse Simone dos Santos.
De acordo com o panorama de dados educacionais da Bahia, disponibilizado no Todos Pela Educação, 43% dos estudantes da rede pública em anos iniciais de aprendizagem têm um desempenho em Língua Portuguesa e Matemática abaixo do esperado. Somente 22% apresentam uma performance adequada nessas disciplinas.
Ao analisar os dados, a diretora da Rede Latino-Americana de Alfabetização, Elisabete Monteiro, pontua que a comemoração é válida, mas algumas ressalvas devem ser mantidas. “O que está se definindo como estar alfabetizado é muito pouco.Que leitura que as crianças fazem? Quais são as proficiências que essas crianças conseguiram construir em tão pouco tempo?”, questiona Monteiro.
Para Elisabete, o conceito de alfabetização proposto pelo MEC é insuficiente, pois na sua observação, ser alfabetizado vai além de somente saber ler e escrever. “Então, existem textos que trazem informações explícitas e implícitas que precisam ser compreendidas pela criança. E estar alfabetizado, ser um bom leitor, implica isso, ver as pistas que estão explícitas no texto”, salienta a especialista em alfabetização.

Perfil dos estudantes na educação básica baiana
No estado, conforme o Censo da Educação Básica, 83,5% destes estudantes são negros, que estão espalhados pelas 10.795 escolas, as quais têm 39.946 professores, segundo o Anuário da Educação Básica. O levantamento ainda aponta que 75,7% das instituições de ensino são da rede municipal, seguidas de 24,3% de cunho privado e somente 0,2% de caráter federal. Os dados são de 2024, que calculou na época 597.667 mil matrículas na educação infantil.

Apesar de ser maioria entre os estudantes da educação básica, a alfabetização de crianças negras ainda é um desafio no estado da Bahia. “São as crianças pretas e pardas, que são aquelas crianças que ainda apresentam resultados não satisfatórios”, pontua Elisabete. “Então, essa questão da equidade ainda é o grande desafio. Hoje nós temos um movimento fortíssimo de educação antirracista”, ressalta a educadora.
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Lucas da Hora é estudante de jornalismo na Universidade Federal da Bahia (UFBA) e estagiário na TV Bahia. A pauta surge após o estudante ter visto a repercussão do avanço da alfabetização no estado da Bahia. Então a ideia foi analisar quais os critérios para estabelecer que uma criança é alfabetizada e a representação disso para o estado.
