Terminei a faculdade, e agora?

Sair da faculdade é como aprender a andar de bicicleta pela primeira vez.

 

*Elis Dourado

 

Quando Suzana e Lívia me convidaram para escrever essa coluna eu fiquei muito honrada com o convite. Eu me formei em 2025.2 e cursei essa disciplina em 2024.1 e, desde lá, sempre quis ser chamada para escrever a Coluna do Egresso. 

 

No entanto, confesso que não esperava o convite com menos de 6 meses de formada. Não pude deixar de pensar: “O que eu vou falar se eu nem consegui arranjar um emprego ainda? Eu não vou ter 20 experiências de trabalho para contar e ao invés de Coluna do Egresso será a ‘Coluna de uma desempregada’”. 

 

No mundo hiperconectado em que vivemos, é impossível não se comparar. Mas então, eu decidi aceitar o convite. Por que não contar para os meus futuros colegas de profissão como é a realidade de uma recém jornalista em Salvador? Por que não compartilhar minhas angústias, incertezas e medos? São tantos sentimentos que talvez faltem caracteres para descrevê-los – e disso eu sei que vocês entendem. 

 

Quando saímos da FACOM, ansiamos por um mundo de possibilidades que se abre para a gente. Só que a realidade nem sempre é bem essa. Muitas vezes, as portas se fecham mais do que se abrem. São muitas guias abertas, muitos currículos enviados, mas a realidade parece ser sempre a mesma, a sensação de que o mercado quer substituir jornalistas por estagiários e quer experiência sem nos dar uma chance de sequer começar. 

 

Durante a graduação, estagiei por quase um ano no setor de Endomarketing da Fundação José Silveira. Pude conhecer de perto o funcionamento da comunicação institucional de uma organização de grande referência na Bahia. Mas, dentro de mim, eu sentia que ainda faltava alguma coisa. Logo depois, atuei como social media em uma empresa de marketing médico até o meu contrato terminar. Confesso que sempre fugi um pouco de trabalhar em redação, especificamente com a produção de matérias e reportagens, porque além de não me ver naquilo, eu não me sentia preparada. 

 

Até que cheguei nessa disciplina. 

 

Produzi uma reportagem sobre os desafios do Atendimento Educacional Especializado em uma escola municipal de São Cristóvão. Por conta da turma com poucos alunos na época, essa disciplina me preparou para o que eu nem sabia que ia ser algo cada vez mais comum no jornalismo: um faz tudo. Pensei na pauta, entrei em contato com as fontes, fiz entrevistas, escrevi, fotografei, gravei vídeos, áudios, editei. Tudo pensando no famoso conteúdo multimídia que Suzana e Lívia tanto nos lembram. 

 

Eu não me via naquele lugar. Eu não me achava capaz e, ainda sim, fiz um ótimo trabalho. E isso não é modéstia, aprender a reconhecer o que fazemos bem – e também o que não fazemos – é fundamental para escolhermos o caminho que queremos seguir. No semestre seguinte, as professoras me chamaram para ser monitora. E eu, que nem me achava capaz de fazer o meu próprio trabalho, fui convidada para ajudar os meus colegas e foi uma experiência incrível. Suzana e Lívia me fizeram acreditar mais em mim duas vezes. 

 

No entanto, nem tudo são flores. Eu me formei no final do ano passado e até agora estou sem emprego. O mercado não está fácil e tenho colegas que se formaram comigo que estão na mesma situação. Mas não é só isso. Depois de quase 6 meses desde a apresentação do meu TCC eu ainda sinto que falta alguma coisa, ainda me sinto um pouco perdida quando me comparo com os meus colegas. Será que estou fazendo algo de errado? 

 

Esses dias assisti a um filme em que a personagem principal aprende a andar de bicicleta aos vinte e poucos anos. Ela não aprendeu aos 5 anos de idade como todos seus outros amigos. Sair da faculdade é como aprender a andar de bicicleta pela primeira vez. Exige paciência para saber que você vai cair várias vezes, que você pode se ralar no processo e, mesmo assim, continuar, porque cada vez que você cai, vai mais longe na próxima tentativa. O tempo que você vai levar para aprender a andar de bicicleta e o caminho que será percorrido nem sempre será igual ao dos seus colegas, talvez você não saia da faculdade com um emprego. E isso é mais normal do que algumas pessoas na internet nos levam a pensar: que nossa vida estará resolvida depois de sairmos da graduação. 

 

Mas, o importante é que você saiba encontrar o seu próprio caminho, seja aos 5 ou aos 20 e poucos anos. 

 

E é isso que eu desejo para vocês, que sejam capazes de se encontrar e encontrar seu caminho. Eu sigo daqui, tentando encontrar o meu. 

 

*Elis Dourado é jornalista recém formada pela FACOM | UFBA. Já trabalhou na Fundação José Silveira e na empresa Engagier. Atualmente trabalha com produção de conteúdo para as redes sociais. Ingressou na turma de 2022.1 de Jornalismo na FACOM | UFBA e passou pela disciplina Oficina de Jornalismo Digital como aluna no semestre 2024.1, sob a condução das professoras Suzana Barbosa e Lívia Vieira. No semestre seguinte foi convidada para retornar à disciplina como monitora.

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